top of page

ANJOS EXISTEM? - Crônica do livreto Doces Lembranças

  • Foto do escritor: Andre Coelho
    Andre Coelho
  • 20 de mar. de 2021
  • 4 min de leitura

Atualizado: 22 de mar. de 2021

Anjos Existem?


Dizem que anjo não tem sexo, mas eu sei que é mentira. Posso dizer com certeza, pois conheci um, ou melhor, uma, que se disfarçava tão bem que ninguém além de mim conseguiu descobrir. Descobri por acaso, se é que existe acaso, mais graças a Deus, descobri.

Não tinha contado a ninguém até agora, mas acho que é muita falta de consideração fazer uma descoberta desse porte e guardar para si mesmo, afinal, todos temos o direito de saber sobre as verdades da vida, mesmo que pareçam fantasias ou fábulas, pois só assim conseguiremos enxergar a verdadeira realidade.

Tinha as mãos e os pés machucados, mas também pudera cair do céu e não se machucar seria impossível. Passou por muita dor e sofrimento, doenças, perdas, desilusões e decepções, porém nunca reclamou ou se entregou, sempre teve presteza, perseverança e muita fé, alias, acho que teve muito mais fé do que o resto.

Era meio cheinha, mas também, para caber um coração tão grande se precisa de um corpo proporcional. Eram tanto amor e carinho que eu não sabia como agradecer, e por vezes, ao conversarmos, apenas conseguíamos chorar, acho que de alegria, pois era um choro que aliviava e trazia um conforto muito grande. Também sorriamos bastante, muito mais do que chorávamos, porque sempre tinha uma história ou um caso engraçado, ou quando era triste, sempre tinha sempre um final feliz, empolgante e surpreendente.

Quando vim do céu, pois acredito que viemos realmente, ela segurou a minha mão, me ensinou a andar, falar, ter discernimento e entendimento do certo e do errado. Por vezes me deu conselhos e lições, muitos eu ouvi, e outros tantos não, afinal sou humano, e como todo ser humano, cometo erros também.

Passamos bons e maus momentos, sempre com muita garra e com muito afinco, às vezes eu a carregava, às vezes era o contrário, era ela que me carregava e por vezes nos sentíamos carregados por outra pessoa que nunca pude ver quem era, agora já consigo ter uma ideia, depois de me ver só, pude

sentir e entender quem é esta outra pessoa.

Quando ela voltou ao céu, era eu quem segurava a mão dela, sentia-me triste, porém agradecido pela confiança. Pedia que se lembrasse de mim para sempre, acho que não precisava nem pedir, mas pedi assim mesmo. Chorava e rezava bem baixinho, só para mim mesmo, e por fora, tentava mostrar uma calma e tranquilidade que não existia em minha alma. Acho que consegui ser tão forte que consegui surpreender até a mim mesmo.

Era uma pessoa brilhante, cheia de ideias geniais, sabia fazer de quase tudo um pouco, e apesar de não ter muito estudo, tinha muito mais conhecimento que muito mestres e doutores. Tinha além de tudo, muita experiência de vida, pois não nasceu em berço de outro e nunca teve dinheiro para esbanjar ou gastar com mordomias, mais sempre deu muito valor a tudo que tinha, cada degrau galgado era sempre muito festejado e visto como um tesouro, sendo que para mim o tesouro real era o seu coração, pois não tinha mágoas ou raiva de ninguém, e sempre falava que a raiva era uma semente maligna que vai crescendo e acabando com tudo de bom que as pessoas podem ter e realizar.

Sempre gostou de passear, conhecer outros lugares e de pregar peças e mim, a última por sinal não foi das mais agradáveis, mas mesmo assim me fez rir em um dos momentos mais difíceis da minha vida, era uma despedida e mesmo não indo com suas próprias pernas, ou melhor, vou mais além, indo contra a sua vontade, pois gostava muito da vida e de viver, e mesmo assim conseguiu chegar antes de mim, pois gostava de fazer isso em vida, a gente combinava de ir há algum lugar e ela sempre chegava primeiro, não se importava de esperar ou das minhas malcriações, sempre sorria e brincava.

Poucas vezes presenciei seu mau humor, pois se tinha uma coisa em abundância era humor e alegria, gostava de brincar sempre que podia, e uma das suas diversões primordiais era a gastronomia. Gostava tanto de cozinhar quanto de conhecer restaurantes e lanchonetes, e era bem conhecida também, tinha muitos amigos, acho que não tinha inimigos, mas não posso afirmar, pois nesse mundo, as pessoas por vezes sentem inveja e ódio das outras sem nenhum motivo ou causa aparente, às vezes apenas “não vão com a cara das outros” ou “o anjo da guarda não bate”.

Quase sempre sinto o toque de sua mão em meu rosto, como uma leve brisa suave e refrescante, que me traz saudades e um pouco de tristeza por sua falta, mas ao mesmo tempo me dá uma sensação de conforto e de esperança, pois sua lembrança sempre me fortifica e me da forças para continuar a trilhar o caminho dessa vida cheia de aventuras e desilusões, mas muito divertida e gratificante, basta apenas conseguirmos observar do ponto de vista correto, pois se não está bom, é só olhar de outro modo, e sempre acharemos uma solução para resolução de qualquer problema, por maior e mais difícil que pareça, pois como diz o ditado “Se não terminou é porque não chegou ao fim”.

Obrigado meu Deus por permitir que eu pudesse conviver e compartilhar momentos incríveis e maravilhosos com uma das pessoas mais geniais que conheci, senão a mais genial. Tenha ela em um bom lugar, pois aqui ela estará para sempre em meu coração e em minha memória.

 
 
 

Posts recentes

Ver tudo
ESSE FOI COMEÇO DE TUDO

Esse foi o primeiro poema que escrevi, e que deu início a minha trajetória como escritor, foi escrito para minha namorada na época,...

 
 
 

Comentários


bottom of page